Adriano Mangiavacchi celebrou 85 anos com a exposição “Pintar é Preciso” na Galeria Patrícia Costa

A exposição Pintar é Preciso, do artista ítalo-brasileiro Adriano Mangiavacchi, ocupa a Galeria Patricia Costa entre os meses de maio e junho de 2026, reunindo pinturas em acrílica e aquarelas inéditas sob curadoria de Vanda Klabin. A mostra marca as comemorações dos 85 anos do artista e apresentou ao público uma produção recente atravessada pela fluidez cromática, pela memória e pela experimentação gestual.

“Pintar é preciso e viver também” —Adriano Mangiavacchi

Em seu texto curatorial, Vanda Klabin destacou as afinidades entre a produção de Mangiavacchi e a tradição da pintura gestual italiana, aproximando-o do legado de Emilio Vedova, importante nome da action painting. Nas obras expostas, o gesto aparece como elemento estruturante, conduzindo composições marcadas pela intensidade das cores, pela sobreposição de planos e por uma constante tensão entre controle e acaso.

Aquarela de Adriano Mangiavacchi

Desde 2023, o artista vinha aprofundando sua pesquisa com a aquarela, linguagem que passou a orientar parte significativa de sua produção recente. As obras apresentadas na exposição nasceram justamente desse processo de investigação, no qual a leveza e a transparência da aquarela migraram também para as pinturas em tela, através da fluidificação da tinta acrílica e da construção de sucessivas camadas cromáticas.

A cidade e a paisagem seguem sendo referências fundamentais em sua trajetória. Seja nas cenas urbanas ou nos fragmentos da natureza observados a partir de seu ateliê na Barrinha, aos pés da Pedra da Gávea, a pintura de Mangiavacchi absorve os ritmos, as atmosferas e os contrastes do entorno. As pinceladas vigorosas e policromáticas revelam uma relação sensível com a paisagem carioca e reafirmam a vitalidade de uma produção artística em permanente transformação.

Segundo Vanda Klabin, o conjunto de aquarelas e pinturas apresentado na mostra abriu “um novo campo de investigação e ambivalências”, impulsionado pela luminosidade das cores e pelas diferentes possibilidades perceptivas criadas pela matéria pictórica. Entre transparências, saturações e jogos de luz e sombra, as obras evidenciaram a liberdade formal que atravessa a pesquisa recente do artista.

Nascido em Roma, Adriano Mangiavacchi iniciou sua formação artística na Escola Artifici e posteriormente na Academia de Brera, em Milão. Na década de 1970, mudou-se para o Brasil para trabalhar como engenheiro industrial nas montadoras Fiat e Alfa Romeo, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. A aproximação definitiva com a arte ocorreu nos anos 1980, quando passou a frequentar os cursos de pintura de Luiz Aquila e integrou o grupo de Paulo Garcez, consolidando uma trajetória marcada pela investigação pictórica e pela observação da cidade como campo poético e visual.

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Publicado por:Philos

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